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A justiça norte-americana

Uma série de protestos iniciada em Ferguson, no Missouri, espalhou-se por todas as cidades dos Estados Unidos, de Nova York a Chicago.

Manifestantes em Ferguson com cartazes com os dizeres “Hands up, don’t shoot”
Manifestantes em Ferguson com cartazes com os dizeres “Hands up, don’t shoot”

Uma série de protestos iniciada em Ferguson, no Missouri, espalhou-se por todas as cidades dos Estados Unidos, de Nova York a Chicago. A causa imediata dos protestos é o assassinato de um adolescente negro americano de 18 anos chamado Michael Brown, em 9 de agosto. A polícia americana tem uma longa ficha criminal em casos como esse. Nos últimos 7 anos, 96 negros americanos foram assassinados por policiais, e 18% desses mortos tinham menos de 21 anos. 98% dos processos terminaram a favor dos policiais.

Aqui, parece que o caso Michael Brown teve o mesmo destino. Os manifestantes vêm gritando “Não atirem” há exatamente 108 dias.

Aqui, depois de 108 dias, vemos agora “a justiça norte-americana”, a justiça que querem implantar no Oriente Médio.

Aqui, vemos que o policial Darren Wilson foi considerado inocente pelo tribunal, depois de ter assassinado o adolescente negro de 18 anos, desarmado e indefeso. Mais uma vez, o terror policial racista é absolvido pela “justiça norte-americana”. Pela primeira vez, a Anistia Internacional pediu aos EUA que acabem com a violência policial. Enquanto isso, o presidente Obama aparece na tela pedindo aos manifestantes que confiem na justiça. Em outra tela, lá está o assassino, o policial, falando de sua “consciência tranquila”. Tudo isso acontecia enquanto policiais detinham manifestantes e usavam a força contra jornalistas.

Consciência órfã

Local: Eskişehir, Turquia

Data: 10 de julho de 2013

O jovem de 19 anos Ali İsmail Korkmaz marchava em apoio à Resistência de Gezi quando enfrentou a brutalidade policial. Foi agredido primeiro pela polícia e depois pelos reacionários. Sofreu uma hemorragia cerebral e perdeu a vida. Ele era calouro da Universidade Anadolu. Em 26 de novembro de 2014, depois de 140 dias, o promotor pediu que os policiais envolvidos no caso fossem absolvidos pelo tribunal. Depois disso, o caso foi adiado. Na verdade, foi a justiça que foi adiada. Enquanto isso, o presidente Recep Tayyip Erdoğan discursava referindo-se aos comerciantes que causaram a morte de Ali İsmail: “Os comerciantes e artesãos são soldados quando necessário. São os policiais que constroem a ordem quando necessário.” No mesmo dia, no tribunal, o comerciante disse: “Se eu tivesse tentado cometer um crime, a polícia teria me pegado”, e o policial disse: “Se era uma tentativa de golpe, então eu tinha a missão de impedir a tentativa de golpe”. Por fim, ele disse que tem “a consciência tranquila”.

A justiça acaba de sofrer um acidente

Local: Cisjordânia

Data: 25 de novembro de 2014

Um motorista israelense jogou o carro contra civis palestinos. Após o ataque, Nur Hasan Salim, de 21 anos, perdeu a vida, e dois adolescentes ficaram feridos. As autoridades israelenses consideraram o caso um acidente. A justiça perdeu a vida por causa do “acidente”.

Tirem a máscara, baixem as armas!

Três pessoas que falavam línguas diferentes, que tinham crenças diferentes… A única coisa que tinham em comum era seu assassino: o sanguinário e voraz imperialismo norte-americano e seus guardiões. Os imperialistas tentam limpar o sangue de suas mãos usando conceitos como “justiça”, “democracia”, “liberdade” e assim por diante. Mas sua máscara já caiu.

Ela caiu no Vietnã, no Irã, no Egito, na Líbia, no Iraque, no Afeganistão e na Síria.

Caiu em Ferguson, na Palestina, na Turquia.

A máscara foi arrancada pelos povos oprimidos. A máscara foi arrancada pelas nações que lutaram contra o imperialismo na Venezuela, no Irã, na Síria, no Líbano.

Estamos determinados a derrubar a ideia de “justiça” dos imperialistas. Vamos varrer a ideia de uma “justiça” adiada e voraz.

E nós, como juventude do mundo, estamos determinados a trazer de volta a verdadeira justiça para todos os Michael Brown, Ali İsmail Korkmaz e Nur Hasan Salim!

Elif İlhamoğlu

Vice-presidente da TGB

Fonte: wayouthunion.com

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