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Declarações//9 min

Declaração Final da Cúpula Internacional da Juventude contra o Genocídio na Palestina

A declaração final da cúpula, que contou com a participação de 25 organizações de juventude anti-imperialistas de 20 países: “Defendemos um Estado palestino independente, com Jerusalém como capital.”

Emitido porCúpula Internacional da Juventude da WAYU

Um manifestante segurando um cartaz com os dizeres "From the river to the sea Palestine will be free".
Um manifestante segurando um cartaz com os dizeres "From the river to the sea Palestine will be free".

Como representantes das organizações de juventude anti-imperialistas que participam da Cúpula Internacional Online da Juventude pela Palestina, declaramos mais uma vez nossa solidariedade inabalável à luta heroica que o povo palestino trava pela independência.

Apesar do anúncio de um cessar-fogo, os ataques sionistas continuam sem interrupção. A potência ocupante violou o acordo repetidas vezes, e dezenas de palestinos foram martirizados desde a data da assinatura. Esse suposto cessar-fogo nunca foi genuinamente implementado por aqueles que pisoteiam sistematicamente o direito internacional e os princípios mais básicos da humanidade.

Esta Cúpula tem, portanto, importância vital. Hoje a luta não é apenas resistência contra o genocídio; tornou-se também uma luta global por justiça e uma luta internacional para obrigar os criminosos de guerra a prestar contas.

Defendemos um Estado palestino independente, com Jerusalém como capital — com seu território íntegro, suas fronteiras determinadas pelo povo palestino e governado por palestinos, plenamente soberano sobre suas fronteiras históricas, suas terras, sua plataforma continental e seus recursos.

Declaramos, portanto, o seguinte:

1. Condenamos o genocídio perpetrado pelo regime sionista israelense com o pleno apoio dos Estados Unidos e dos países ocidentais. Mais de 68.000 palestinos foram martirizados, e o destino de mais de 10.000 permanece desconhecido. Essa barbárie continuará sendo, por gerações, uma ferida que não se fechará na consciência da humanidade. As organizações de juventude, estudantis e da sociedade civil de todo o mundo devem se unir; Gaza jamais deve ser deixada sozinha, e esse sofrimento deve ser transformado em uma luta global por justiça e por independência contra o imperialismo.

2. Defendemos o direito das nações de determinar seu próprio destino com base em uma soberania nacional genuína. A forma jurídica desse direito está definida na Carta das Nações Unidas. A soberania pertence aos Estados que representam a vontade comum de seus povos e deve ser protegida contra toda forma de agressão imperialista. Mas não aceitamos o uso de conceitos como “autodeterminação” pelas potências imperialistas para legitimar projetos separatistas artificiais. Rejeitamos igualmente as empreitadas imperialistas criadas por meio das políticas de expansão da OTAN. A luta de toda nação que defende sua independência, sua honra e sua integridade territorial contra o imperialismo é legítima e deve ser apoiada. Os movimentos de juventude, por sua vez, devem fortalecer a solidariedade internacional, a ação comum e o trabalho humanitário.

3. Dentro da ampla frente das nações que resistem ao imperialismo, a luta do povo palestino detém uma legitimidade central e indiscutível. O direito de resistir não emana de nenhuma instituição internacional, mas da própria essência da independência nacional. O imperialismo dos EUA e do Ocidente criminaliza a resistência legítima enquanto encobre a brutalidade e o genocídio de Israel. Rejeitamos todas as tentativas imperialistas de desarmar o povo palestino ou de liquidar ou reprimir sua resistência. Apoiar a defesa nacional contra a agressão sionista não é apenas legítimo, mas um dever moral.

4. É fato que o direito internacional é frequentemente aplicado com dois pesos e duas medidas que protegem os Estados imperialistas. Ainda assim, a Corte Internacional de Justiça continua a oferecer um terreno em que as violações podem ser questionadas dentro do respeito ao princípio da soberania. Exigimos um embargo internacional de armas contra Israel, sanções contra todos os Estados e empresas que o armam e processos judiciais — incluindo, quando necessário, a revogação da cidadania — contra cidadãos estrangeiros que participem de crimes de guerra. Mesmo assim, a verdadeira justiça não pode ficar a cargo de instituições parciais. Se os mecanismos existentes falharem em seu dever, os Estados e as nações anti-imperialistas do mundo multipolar em ascensão devem estabelecer plataformas judiciais internacionais independentes e soberanas para garantir um verdadeiro acerto de contas.

5. A destruição sistemática de escolas e universidades em Gaza é um ataque deliberado contra o futuro da Palestina. Conclamamos as organizações de juventude e estudantis do mundo a participar ativamente da reconstrução da infraestrutura educacional e do apoio aos estudantes palestinos. Para isso:

  • Desenvolveremos Programas de Solidariedade Educacional para incentivar bolsas de estudo, aulas online e intercâmbio acadêmico para estudantes deslocados.
  • Conclamaremos as Nações Unidas e os governos nacionais a abrir programas emergenciais de bolsas de estudo.
  • Apoiaremos programas de educação digital para Gaza em cooperação com organizações da sociedade civil e parceiros de tecnologia.
  • Boicotaremos universidades e instituições envolvidas em crimes de guerra ou em cooperação militar com Israel.

6. O povo de Gaza enfrenta uma crise humanitária e médica urgente e grave. Exigimos a abertura de corredores humanitários e médicos sob supervisão da ONU, o levantamento imediato do bloqueio e o pleno acesso a água potável, alimentos, medicamentos e itens de primeira necessidade. Com esses objetivos:

  • Incentivaremos os governos a enviar equipes médicas de emergência e hospitais de campanha.
  • Ampliaremos os programas de telemedicina, de apoio a vítimas de trauma e de saúde mental em cooperação com instituições médicas.
  • Defenderemos nos fóruns internacionais que os profissionais de saúde e os hospitais devem ser protegidos pelas Convenções de Genebra.
  • Conclamaremos as organizações de juventude a construir redes de solidariedade de apoio ao trabalho de socorro médico e humanitário.

7. A reconstrução e a sobrevivência em Gaza exigem uma solidariedade organizada e prática. Conclamamos universidades, sindicatos e organizações de juventude a trabalhar com as instituições competentes para que a ajuda chegue ao seu destino por canais transparentes e legais. Incentivamos campanhas regulares de solidariedade e atividades de conscientização nos campi e nas comunidades, para que o apoio de longo prazo se torne sustentável.

8. A agressão de Israel não se limita à Palestina; os ataques contra o Irã, a Síria, o Líbano, o Iêmen e o Catar fazem parte da mesma cadeia imperialista e são realizados com o apoio direto dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. Esses ataques visam desestabilizar a região, enfraquecer os Estados independentes e inflamar conflitos sectários. Somos solidários com todos os povos que resistem a esses ataques e sublinhamos com firmeza a legitimidade de seu direito de defender sua soberania e sua integridade territorial.

9. Reafirmamos a avaliação expressa em nossa Declaração de 2021: o projeto imperialista dirigido à Ásia Ocidental e ao Mediterrâneo Oriental se assenta em uma estratégia de ataque e divisão de três pilares.

A ocupação sionista da Palestina é o principal pilar da agressão regional apoiada pelos EUA. O plano levado adiante sob o nome de um suposto “Curdistão Livre” — na realidade, um projeto de “Segundo Israel” — alimenta movimentos separatistas e extremistas para dividir a Turquia, o Irã, a Síria e o Iraque. No Mediterrâneo Oriental, a presença militar apoiada nas bases dos EUA e da OTAN na Grécia e no Chipre do Sul visa cercar os países da Ásia Ocidental e colocar sob controle as rotas marítimas e energéticas da região. Essa tripla linha de ataque é a principal ameaça à soberania, à segurança e ao desenvolvimento da região.

A liberdade da Palestina e o reconhecimento internacional da República Turca do Chipre do Norte são lutas complementares. Os Estados Unidos e Israel tentam transformar o Mediterrâneo Oriental, e em particular a ilha de Chipre, no centro dos ataques contra os Estados da região; isso também atinge diretamente a Palestina. A existência da RTCN é um ponto crítico de resistência contra esse cerco, e seu reconhecimento internacional tem importância estratégica para derrotar os projetos imperialistas no Mediterrâneo Oriental.

10. Exigimos a retirada de todas as bases estadunidenses, israelenses, britânicas e da OTAN da Ásia Ocidental e do Mediterrâneo Oriental. As políticas de expansão da OTAN fazem parte da estratégia do imperialismo dos EUA de cercar os Estados independentes. A saída de países como a Turquia e a Alemanha da OTAN enfraqueceria seriamente essa estrutura imperialista. Rejeitamos todas as tentativas, apoiadas pelos EUA e por Israel, de dividir a Síria e de aprofundar o conflito sectário.

11. Condenamos a pressão política, jurídica e midiática exercida nos países ocidentais contra jornalistas, estudantes e trabalhadores que apoiam a Palestina. A juventude do mundo defende a igualdade e a independência das nações e uma paz justa, livre de intervenção estrangeira.

12. Reiteramos nossa determinação de unir as lutas das nações oprimidas. Da Palestina à Turquia, do Líbano à Venezuela; da Ásia Ocidental à África, da América Latina à Europa e aos Estados Unidos, essas lutas formam uma só frente comum. Para isso, serão criados comitês regionais da WAYU para coordenar o trabalho contra sanções e embargos na Ásia Ocidental, na África e nas Américas. Também será formada, sob o guarda-chuva da WAYU, uma Coalizão Global da Juventude pela Palestina, reunindo entidades estudantis e organizações de juventude de todo o mundo. Essa coalizão irá:

  • organizar campanhas globais de conscientização e de solidariedade cultural,
  • fortalecer a unidade da juventude por meio de programas conjuntos de educação e voluntariado,
  • manter a exigência de justiça para a Palestina perante instituições e governos.

13. As tarefas da juventude anti-imperialista:

  • fortalecer a coordenação entre os movimentos de juventude anti-imperialistas por meio da WAYU,
  • criar plataformas permanentes de comunicação para ações e campanhas conjuntas,
  • realizar reuniões de avaliação e coordenação a cada dois meses,
  • desenvolver programas de intercâmbio cultural e delegações de jovens entre as organizações-membro,
  • publicar boletins mensais de coordenação sobre as ações da juventude,
  • preparar uma plataforma online para a coordenação contínua de campanhas pela Palestina, juntamente com um plano anual e mensal de ação conjunta.

14. Esta Cúpula reuniu a juventude livre e honrada do mundo, da Ásia à África e da América Latina à Europa, pela humanidade, pela justiça e pela Palestina. A Cúpula se posiciona não apenas por Gaza, mas por todos os povos oprimidos, contra o imperialismo, o sionismo e seus colaboradores. Nossa voz comum é esta: continuaremos a luta pela justiça e pela dignidade humana.

15. A juventude do mundo se levanta para defender a humanidade, a independência e a justiça. Declaramos nossa solidariedade ao povo palestino e a todas as nações que resistem ao imperialismo. De Gaza a Caracas, de Argel a Pequim, de Moscou a Ancara, nossos corações batem no mesmo ritmo.

Viva a solidariedade internacional da juventude!

Viva a luta por uma Palestina livre!

Fonte: Türkiye Gençlik Birliği

TagsPalestinaDeclaraçãoCúpula
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